
No dia 20 de maio, os trabalhadores do transporte coletivo urbano de Blumenau e região iniciaram as mobilizações para a negociação anual de sua Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), realizando a primeira assembleia da campanha salarial 2026/2027, encontro que definiu a pauta de reivindicações da categoria a ser levada à mesa de negociação.
Entre os trabalhadores, o sentimento é um só: esta será a negociação coletiva mais importante dos últimos tempos.
No centro dos debates está a manutenção dos empregos dos cobradores por meio da transformação da função em “agente de bordo”, garantindo, assim, a permanência de dois profissionais por ônibus no transporte coletivo da cidade.
No final de 2025, sem nenhum debate com a categoria ou com a sociedade, o prefeito Egídio Ferrari enviou à Câmara de Vereadores um projeto para revogar a lei municipal que dava essa garantia. O projeto foi aprovado por 11 votos, no apagar das luzes, em uma sessão extraordinária.
O prefeito, talvez prevendo algum tipo de manifestação dos trabalhadores, esperou o período de baixa demanda no final do ano, quando os eventuais transtornos seriam menores.
Na ocasião, a categoria paralisou o sistema por algumas horas em sinal de protesto, deixando claras a sua insatisfação e a certeza de que a resposta viria no momento mais oportuno para os trabalhadores.
O momento chegou.
O sindicato vai apresentar à Câmara de Vereadores, na próxima quinta-feira, dia 11 de junho, um abaixo-assinado contendo 16 mil assinaturas, junto a um Projeto de Lei de Iniciativa Popular que cria a função de Agente de Bordo e dá outras providências, uma iniciativa que busca realizar um debate qualificado sobre o tema e que respeite a sociedade e, principalmente, os usuários do sistema.
Se o prefeito teve 11 vereadores para defender seu projeto de retirar os cobradores e piorar o transporte, o Sindetranscol tem uma categoria disposta a defender a sua Convenção Coletiva de Trabalho, instrumento jurídico que, até o dia 30 de junho, assegura o emprego de todos os atuais 430 profissionais, e que tem eficácia até a assinatura de uma nova CCT.
Mais que isso, esta data já está registrada na história da Casa Legislativa e do município de Blumenau, pois, de forma inédita, um projeto de lei do povo estará sendo protocolado e iniciará sua tramitação, segundo a previsão legal.
A categoria não vai simplesmente abrir mão de direitos e conquistas. Afinal, a nefasta reforma trabalhista, que retirou centenas de direitos da CLT, também modificou a legislação para estabelecer que o negociado em acordos e convenções se sobrepõe ao legislado.
A negociação é inevitável.
Blumenau pode esperar uma grande batalha.
Sindetranscol | Sindicato de Luta!